O Palmeiras chegava ao último jogo do ano, quando finalmente poderia atuar dentro da cidade como mandante, já rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro. Pouco mais de quatro mil palmeirenses foram ao estádio numa tarde de chuva, e é claro que o clima era de tristeza e protesto. Eu estava lá para demonstrar, no sentido mais literal possível, o amor à camisa e ao que ela representa.
Kleina, como era de se esperar, colocou o time da base e os reservas para jogar, assim como fizera na partida anterior. Aos 15 minutos levamos um gol, para dez minutos depois empatarmos com Patrick Vieira. Ao início do segundo tempo levamos o segundo, que decretou a impressionante marca de nada menos que 22 derrotas em 38 jogos.
O palmeirense foi pra casa, na incerteza de um futuro melhor...
A ficha vinha caindo aos poucos com relação ao desfecho do melancólico Campeonato Brasileiro de 2012. O Palmeiras perdera quatro mandos de campo por "confusões causadas por sua torcida no clássico contra o SCCP". Imaginava, portanto, que seria uma de minhas últimas oportunidades no ano de ver o Palmeiras ao vivo. Além disso, queria ir ao jogo para completar ao menos uma partida em cada uma das competições que o Palmeiras participou no ano.
Daniel Carvalho, em grande noite, viu Obina partir e fez um passe magistral para a conclusão tranquila. Um a zero. No segundo tempo, Luan pôs na área de forma descompromissada, e encontrou Thiago Real livre para fazer o segundo gol.
E então o time parou, e passou a receber pressão do Millonarios. Bruno se segurava como podia, até que levamos um contra ataque. O lateral entortou Maurício Ramos e cruzou para Artur completar... contra. Dois a um. A torcida já ensaiava um protesto quando os visitantes devolveram o favor: em uma tentativa bizonha de devolução da bola ao goleiro a bola sobrou para um Luan oportunista, que fechou o placar em três a um.
Era a última rodada do primeiro turno que o Palmeiras jogaria em casa, e logo um clássico. Era também uma marca comemorativa particular de Felipão: o técnico foi homenageado, e ganhou uma placa em rápida cerimônia antes da partida por suas 400 partidas à frente do Palmeiras.
O time entrou bem, fazia as jogadas com consciência e sufocava o Santos. Foi premiado, após bela e organizada jogada, com um gol de Correa, aos 41 do primeiro tempo. O Palmeiras, no entanto, acabou levando os gols de empate e da virada, saindo dos pés daquele inominável ser dançante, configurando um resultado totalmente injusto em dois lances medíocres.
Ainda estávamos sob o efeito do título da Copa do Brasil, mas a torcida já começava a tomar ares de preocupação...
Semana de folga no trabalho, escolhida a dedo. Eu e Marquito viajamos para Curitiba, na véspera de meu aniversário, para acompanhar o que seria o jogo do bicampeonato do Palmeiras na Copa do Brasil. Compramos o pacote da Palmeiras Tour, o que nos garantia passagens aéreas, traslados, presença no evento Casa Palmeiras e, é claro, ingressos para a partida. Tudo bem organizado e altamente recomendado.
O evento Casa Palmeiras, realizado em uma churrascaria, por sí só já valeu a viagem pelas presenças de Evair e Velloso. Infelizmente, como mencionado antes, as fotos se foram quando meu computador foi roubado dias depois, mas a lembrança e as palavras ficarão na memória. Após algumas cervejas e muita comida, rumamos diretamente para o estádio.
Extremamente lotado, o canto destinado à torcida visitante realmente não era o melhor lugar, mas não estávamos ali pelo conforto. Muito se falou sobre o tal "Inferno Verde", mas a entrada do time do Coritiba não teve nada de tão notável. Em campo, vimos um jogo tenso, truncado, que teve seu primeiro tempo terminado em zero a zero.
O segundo tempo veio, e num momento de equilíbrio o Coritiba abriu o placar, com um gol de falta. No lance seguinte, o Coxa veio pra cima, e Marcos Assunção recebeu o cartão amarelo ao parar a jogada. Todo palmeirense teve seu momento de frio na espinha, e mal conseguíamos ouvir nossos pensamentos com tanto barulho feito pela torcida adversária.
Foi quando em falta pelo lado direito Marcos Assunção achou a cabeça de Betinho, O Iluminado, e ela morreu no fundo do gol. Era o gol do título, o gol do grito, o gol do choro, o gol que iniciou a festa dos palmeirenses, que durou até a manhã seguinte.
À meia noite celebrava meu aniversário de 30 anos, enquanto via Marcos Assunção levantar a taça do bicampeonato da Copa do Brasil.
(Fotos são do Facebook do Marquito... ainda bem, ou ficaria sem fotos)
Melhores momentos do jogo:
E a festa da torcida, gravada das arquibancadas pela ESPN, com direito a depoimento meu :-):
Meu primeiro jogo na Copa do Brasil 2012 foi o penúltimo da competição. Fato curioso: garanti meu ingresso para a primeira partida apenas após adquirir o pacote da Palmeiras Tour para o segundo jogo, uma semana depois. Passei a madrugada atualizando o site do FutebolCard para conseguir, e a luta não foi em vão.
Após uma corrida desenfreada, saindo de São José, invadindo São Paulo, encontrando com um amigo no caminho, e voando pela Castelo até chegar à Barueri, tive até um pouco de tempo para comer um lanche e tomar uma cerveja antes da partida. Confesso que a organização (após a vergonha que foi na partida anterior, contra o Grêmio) me surpreendeu positivamente desta vez.
Estávamos nervosos com a situação do time, e não acredito que existia qualquer palmeirense 100% confiante. O estádio estava tomado, e a torcida fez seu papel. O desfecho todos sabem: após ser sufocado no primeiro tempo, Betinho, o Iluminado, sofreu pênalti que foi convertido por Valdívia. A bola entrou chorosa ao final do primeiro tempo.
O segundo tempo veio com um Palmeiras melhor, recompensado após cobrança de falta de Marcos Assunção. A bola desviou em Lincoln (sim, "aquele") e sobrou para Thiago Heleno marcar de cabeça. Alívio e comemoração no estádio, e certamente os pacotes para o segundo, até então encalhados, esgotaram em segundos após o apito final.